Gabriel Wickbold

São Paulo, Brazil

O fotógrafo Gabriel Wickbold conheceu o mundo da arte aos 12 anos, quando escreveu e publicou um livro de poesias, resultado do seu primeiro processo de observação, quando transformava o lúdico do universo infantil em poemas. Multitarefa e acelerado, Gabriel é um típico representante da geração millenial. Depois da poesia, foi para a música. Ficou 10 anos tocando, formou algumas bandas, montou um estúdio, uma gravadora e uma produtora. Mas foi na fotografia que ele encontrou sua verdadeira paixão. Hoje é um dos fotógrafos brasileiros mais respeitados da nova geração, com trabalho reconhecido e muito aplaudido no Brasil e no exterior.

Sua trajetória na profissão começou em 2006, quando ele resolveu partir para aquela que seria sua primeira série de fotografias: Brasileiros. Passou 45 dias no Rio São Francisco, da nascente até a foz, fotografando as pessoas que vivem na região. Voltou com 10 mil imagens de personagens da região e se estabeleceu como fotógrafo de moda e publicidade.

Já acostumado ao estúdio após ter conquistado o respeito do público e de celebridades que buscavam ter a sua imagem produzida através do olhar e da técnica do artista, em 2008 criou Sexual Colors, o primeiro expoente de até onde sua expressão artística poderia chegar. Abusando da luz e das texturas, usou tintas sobre o corpo nu de artistas e modelos transformando-os em tela. Em 2012, Naïve explorou a relação homem-natureza com mostras também no Brasil e no exterior. Na série Sans Tache, de 2014, critica a relação do homem com o envelhecimento e nos faz pensar no valor e na beleza das marcas na pele, e no uso abusivo de recursos de computação para manipular uma estética inatingível. Já em I am online, de 2016, discute o sufocamento causado pela internet e as máscaras que criamos para sobreviver nas diversas redes sociais.

Em sua quinta exposição autoral, I am Light – Você é Luz, de novembro de 2018, o trabalho do artista mistura técnicas fotográficas com a já tradicional construção de instalações humanas, feitas por meio da pintura dos modelos e de aplicações de diversos elementos, como o glitter. O resultado são verdadeiras explosões de cores que transformam a câmera em um leitor de auras, capaz de reproduzir essa intensidade que o fotógrafo quer demonstrar em sua série.

As séries autorais de Wickbold são construídas através de uma narrativa para que o espectador seja contemplado com uma ideia. “As minhas exposições retratam, geralmente, uma imagem muito popular e fácil de seduzir, mas o texto vem de uma forma muito forte para causar o impacto que essa imagem precisa passar”, afirma Wickbold. O fotógrafo busca inspirações no ser humano contemporâneo e em questões do cotidiano como sustentabilidade, envelhecimento, a relação de dependência com a tecnologia, sexualidade, empoderamento feminino, e outros.

Em 2018, o artista e galerista Gabriel Wickbold cravou de vez seu nome entre os mais quentes da nova cena artsy brasileira. Sucesso de vendas nas edições desse ano da SP-Arte e SP-Arte/Foto, o carioca – que participou pela primeira vez das duas feiras – arrebentou. Sem se deslumbrar com a aceitação comercial de sua obra, ao mesmo tempo que valoriza o negócio da arte, Gabriel sabe que conseguir se expressar através da complexidade da imagem é fundamental e que permanecer no inconsciente das pessoas deveria ser o propósito de todo artista. Com efeito visual de altíssima performance, suas fotografias são carregadas de temáticas e questionamentos, e fazem muito mais do que apenas atrair o olhar pelos matizes extravagantes: elas brincam com o limite entre fantasia e realidade de um jeito tão autoral que virou assinatura.

Autodidata, o herdeiro da família Wickbold sempre esteve muito próximo dos negócios que eram tocados pelo seu pai, de onde veio o gosto pelos negócios. Da sua mãe artista plástica trouxe as influências artísticas. Como o próprio define, seu trabalho é “eye candy”, colorido, fun, pop na veia, como se fosse um doce para os olhos, de fácil entendimento, apetitoso e que agrada a diversos públicos. “Acima de tudo somos vendedores de arte. Estar na casa das pessoas é o propósito deste business.”

Desde que fundou a própria galeria, que leva seu nome, Gabriel transformou seu Studio em um espaço para intercâmbio entre artistas do mundo todo, e, naturalmente, foi em busca de outros fotógrafos com trabalhos que dialogam com o dele, tornando-se representante deles no Brasil. Christy Lee Rogers, do Havaí, Robert Farber, de Nova York, Donald Boyd, da Islândia, Marius Sperlich, de Berlim, e David Ballam, da África do Sul, são alguns dos nomes representados por ele. Essa associação com parceiros internacionais foi um movimento para estar presente em outros países. Em dezembro de 2018, Gabriel participa pela primeira vez da Context Art Fair, em Miami, e em 2019 pretende expor em Londres, Berlim e Lisboa.